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Atenção
inicial e tensão final
Quer ver todo
mundo feliz numa empresa? É só visitá-la no dia em que
conquista um novo cliente. Todos alegres na expectativa de
poder executar, atender, faturar e, principalmente, mostrar
que ele fez um grande negócio ao trocar o velho fornecedor
por este. Brindes, presentinhos, visitinhas... Vale tudo
para deixá-lo confiante.
Por sua vez, indiferente aos mimos, o cliente ainda consegue
manter uma certa expectativa otimista, apesar de ter saído
de uma relação (às vezes) traumatizante com seu antigo
fornecedor, em quem ele tanto confiou, tendo um excelente
atendimento no início, mas passando a ser só mais um no
decorrer do período em que o contrato vigorou.
Aí está detectado um velho e freqüente problema no setor de
prestação de serviços: no início do “namoro” tudo são
flores, mas com o decorrer do tempo começam as rusgas, os
cortes de investimentos, e o namoro acaba perdendo seu
encanto. Resultado: o cliente passa mesmo a ser só mais um,
deixando de receber a mesma atenção inicial de quando ele
estava no centro do foco.
No segmento da publicidade vale lembrar David Ogilvy,
considerado o pai da propaganda, que já havia detectado, há
décadas, que quanto maior o porte do cliente, menos tempo
ele permanece numa agência, sendo que entre as maiores
empresas os contratos raramente ultrapassam a dois anos de
duração. E não é sem razão, pois quando essas empresas
começam a “cansar” a agência, é hora de injetar novo ânimo.
Mas a regra também se aplica a outros setores, inclusive aos
que vendem produtos. Em alguns deles, como no varejo de
carros, clientes geralmente reclamam que o mau atendimento
começa prematuramente. Basta entrar na loja com trajes de
“sábado” para ser ignorado pelo vendedor. E, ironicamente,
as histórias que ouvimos são sempre aquelas do “cliente para
quem ninguém dava nada e hoje é o que mais gasta”.
Não podemos ignorar também que, eventualmente, as causas
desse “cansaço” ocorrem por uma cobrança sistemática pela
“fórmula mágica”. No caso das agências de publicidade é
comum o cliente querer que ela traga consumidores ou aumente
seus lucros sem os devidos investimentos em mídia ou ações
de marketing. Aí é preciso projetar metas possíveis dentro
das condições do cliente.
Enfim, pense em tudo isso se você está sentindo que sua
agência já não é mais a mesma. O comodismo pode acabar se
refletindo em prejuízos. Existe uma tendência no mercado que
mostra grandes empresas dando preferência a agências de
médio porte, enquanto clientes de médio porte procuram
agências em desenvolvimento, justamente onde eles serão
considerados “O” cliente e não apenas mais um.
Denivaldo
Piaia
Jornalista e diretor de redação da Mapple |