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Designers ainda criticam logo da Copa de 2014
Ainda
há tempo de escolher nova marca, sugerem especialistas
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Muitas
críticas, raros elogios... Anunciada há uma semana, a
logomarca da Copa 2014 é um assunto encerrado para a
Fifa, mas não para os torcedores e, especialmente, para
os designers e críticos de arte brasileiros, que
continuam debatendo a qualidade do desenho selecionado e
os critérios para sua escolha.
A Agência
África, de Nizan Guanaes, que concebeu a logomarca
preferida pelo "júri de notáveis" da Fifa não quer (ou
não pode) se manifestar. O processo foi cercado de
sigilo e a única versão oficial dos fatos foi a
divulgada pela Fifa, em release no dia do lançamento do
logo (08/07): "A Fifa e o Comitê
Organizador do |
Brasil 2014
convidaram 25 agências brasileiras a confeccionarem a
logomarca do torneio (...). O emblema escolhido foi
'Inspiração', criado pela agência Africa. O desenho deriva
de uma célebre fotografia de três mãos que juntas levantam o
troféu mais famoso do planeta. Além da mensagem humanista
das mãos entrelaçadas, a imagem em verde e amarelo
representa a acolhida generosa que o mundo receberá no país
anfitrião."
Diante de centenas de mensagens recebidas com críticas ao
logo, o Portal 2014 voltou a ouvir especialistas da área,
inclusive a diretoria da ADG - Associação dos Designers
Gráficos do Brasil, que explicou como foram os contatos com
a Fifa:
Bruno Lemgruber
O designer e diretor da ADG - Associação dos Designers
Gráficos do Brasil esclarece que a entidade não teve
participação alguma na escolha da logomarca anunciada pela
Fifa. O que houve, diz Lemgruber, é que a federação procurou
a ADG no final de 2009. "Eles diziam desconhecer o mercado
brasileiro de design e solicitavam ajuda da ADG para o
contato com os escritórios brasileiros.
"A concorrência foi interrompida e a Fifa nunca mais
manteve qualquer comunicação com a ADG"
Estes responderam prontamente, e suas propostas - centenas
delas - foram remetidas na sequência à Fifa. Porém, destaca
Lemgruber, a federação não teria ficado satisfeita com a
amostragem e cancelou o processo. A partir daí, a
concorrência foi interrompida e a Fifa nunca mais manteve
qualquer comunicação com a ADG. Lemgruber acredita que a
própria Fifa teria partido para a busca da empresa que
conceberia o logo, e teria também definido por sua conta o
júri que escolheu a marca, num processo sigiloso em todos os
aspectos.
Agnaldo Farias
Crítico de arte, professor do curso de História da
Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da USP, Farias não poupa palavras:
"É uma das piores logomarcas que já vi. Mal desenhada, diria
que tosca, com traços quase infantis". Em sua opinião, as
mãos erguidas sugerem algo como: "a bola é nossa!",
indicativo de algo "ufanista".
"O logo deve passar a ideia de competência de um país
na realização do evento."
E analisa: "A imagem deveria ser mais generosa. Mesmo
destacando aspectos brasileiros, melhor se fosse voltada
para o mundo e menos centrada no país. Porque o logo deve
passar a ideia de competência de um país na realização do
evento, é uma propaganda do país". É o que Farias vê em
todos os países que sediaram os jogos olímpicos, por
exemplo, que criaram marcas famosas, até hoje identificadas.
"Já aquelas mãos, é como se espalhou por aí: Chico Xavier
ocultando o rosto, um deboche". E conclui: "O resultado é
tão precário que só pode ter sido julgado a toque de caixa.
Este logo não faz jus a nossos designers, que são
excepcionais!", avalia Farias.
Edy Pires
Outra personalidade que questiona a logomarca da próxima
Copa é o professor Auresnede Pires Stephan, consultor de
projetos, curador de diversas mostras de design, e jurado e
coodernador de júris de importantes concursos de design.
Pires concedeu a entrevista por telefone a partir de
Curitiba, onde participa do Encontro Nacional dos Estudantes
de Design. "Estou aqui, ao lado de 5 mil jovens designers de
todo o Brasil. E não por acaso o tema da identidade visual
da Copa de 2014 tem sido alvo de questionamentos nos
corredores, com várias pessoas criticando a solução
apresentada", conta o professor Eddy.
"Uma aberração do design gráfico...um pouco mais de
poluição visual"
Mesmo concordando que sempre, qualquer que seja a proposta,
diz ele, haverá pontos de vista discordantes, e que é
impossível a unanimidade, ele não deixa de se posicionar
contra o logo. "O que vejo é um projeto de baixa pregnância,
que peca pela falta de originalidade e expressividade. Uma
proposta que não consegue sintetizar o evento que se
aproxima, e que é mais uma aberração do design gráfico,
infelizmente. Enfim, um pouco mais de poluição visual",
resume. Nada mais a fazer, então? Bem, sugere Eddy, "os
orgãos de comunicação poderiam questionar, ridicularizar
este logo com um sem número chargers".
Adélia Borges
"Eu achei muito infeliz a escolha desse logo e penso que a
comissão que o elegeu não é capacitada para isso, por mais
que a gente possa gostar das pessoas que a formaram, todas
muito competentes em sua áreas.
Todo o processo de apresentação da candidatura do Brasil
para a Copa de 2014 foi feito de forma superprofissional,
com gente de cinema, de marketing, dai acho estranho que na
hora de desenhar a marca, não se tenha escolhido um
profissional de design gráfico, entre os vários de grande
competência que existem no Brasil.
"Decisão precisa ser revertida para que se conserte o
erro enquanto ainda é tempo"
Um exemplo, cita Adélia, é o programa de identidade criado
para os Jogos Panamericanos de 2007, desenvolvida pela
empresa Dupla Design. Outro é a Marca Brasil. "A gente pode
gostar ou não, mas essas marcas são muito bem feitas".
"Acho que essa decisão precisa ser revertida para que se
conserte o erro enquanto ainda é tempo. Não precisa ser um
concurso aberto, qeu seria o ideal, mas a CBF e a Fifa
poderiam fazer um convite a várias empresas de design
gráfico e daí selecionarem o melhor logo", conclui Adélia
Borges, que é especialista em design, ex-diretora do Museu
da Casa Brasileira e curadora de diversas exposições de
design.
Fonte:
Regina Rocha -
Portal 2014 |